30 agosto 2006

Cultura Pop

O termo cultura pop tem sido usado indiscriminadamente para designar diversos produtos da Indústria Cultural. Fala-se em música pop, pop rock, quadrinhos pop e, finalmente, cultura pop. Mas o que é cultura pop? O que caracteriza algo como pop? Que tipo de cultura é essa, denominada pop?
Assim, a Indústria Cultural pretende alienar, e não conscientizar, acomodar, e não incitar.
Os produtos da Indústria Cultural teriam três utilidades:


A. serem comercializados;
B. promover a deturpação e a degradação do gosto popular;
C. obter uma atitude sempre passivas dos seus consumidores.


Como são feitos para serem vendidos, os produtos da Indústria Cultural jamais devem desagradar o comprador. A produção é homogeneizada e nivelada por baixo.A visão crítica por parte do expectador não é possível dentro da Indústria Cultural, pois "A transformação do ato cultural em valor suprime sua função crítica e nele dissolve os traços de uma experiência autêntica" ( Marttelart, Armad & Michelle. História das Teorias da Comunicação. São Paulo, Loyola, 1999 , p. 78)


Uma resposta interessante para a pergunta está no ponto de vista daqueles que colocam a cultura pop como uma alternativa para a cultura oficial. Em um virulento editorial da revista General Visão, Rogério de Campos ataca o imobilismo cultural daqueles que criticam a Indústria Cultural por comodidade:
"Essa revista surge para, entre outras coisas, chatear essa gente. Nosso objetivo é mergulhar nas imagens criadas pela tal cultura pop e provocar mais imagens. Desenhos de shapes de skate, games, ilustrações, brinquedos estranhos, capas de discos, roupas, flyers, cartazes, filmes, tatuagens, fanzines, desenhos de sites, desenhos animados, fotografias, histórias em quadrinhos e até pinturas e esculturas. Criadores que vivem além das fronteiras das imaculadas galerias ou apenas inconvenientes, fora do lugar "correto", fora do tempo, contraditórias, infinitas imagens elétricas para ofuscar as imagens oficiais. Não siginifica ficar deslumbrado pela Indústria Cultural, mas, ao contrário, enfrentá-la com ações e visões críticas". (5)
Daí percebe-se o conceito de cultura pop como algo que nasce da Indústria Cultural, mas não se limita às regras acríticas e homogenizantes. Ao contrário, a cultura pop está muito mais próxima da subversão que da ideologia. Ela, constantemente, quer incomodar o receptor, ao invés de acomodá-lo.
O trabalho de Alan Moore se encaixa perfeitamente nesse padrão. Sua produção de quadrinhos tem sido subversiva e inquietante: do herói anarquista em V de Vingança à denúncia da moral vitoriana em From Hell.
No cinema, há diretores como Tarantino e Terry Gillian e, mais recentemente Shyamalan, que não se encaixam no jeito americano de fazer pelícolas.
Na música há bandas que rompem com os ditames do stabelishment: Beatles e suas experimentações, o incorfomismo de Raul Seixas, Pato Fu e a crítica à TV (na música Televisão de Cachorro)...
A leitura de uma história em quadrinhos, de um seriado de TV, de um filme, pode evoluir desde a fruição pura e simples até uma análise semiótica aprofundada.
Embora os meios de comunicação de massa tenham como objetivo a leitura e a fruição rápidas, isso não significa que todos os leitores estejam amaldiçoados a fazerem sempre leituras superficiais.
Alguns leitores discutem os quadrinhos da mesma forma que um crítico de arte o faria com um quadro, ou um crítico literário o faria com um romance.
Por conta dessa leitura, alguns produtos da indústria cultural acabam se tornando cultura pop. É o que acontece, por exemplo, com o seriado Jornada nas Estrelas ou com as histórias clássicas de Jack Kirby e Stan Lee para a Marvel.
A cultura pop surgiria ou de uma vontade de se contrapor à indústria cultural num movimento "de dentro", ou daquelas peças que ganham uma nova dimensão em decorrência de sua carga arquétipica.


Assim, a cultura pop teria as seguintes características:
A. ser inovadores com relação aos seus congêneres, tanto em termos de forma quanto de conteúdo;
B. Apresentarem uma leitura crítica de mundo;
C. Terem um conteúdo arquétipico;
D. Serem provocadores.


Tais características fazem com que, embora passe pelos mesmos mecanismos de reprodutibilidade técnica, a cultura pop se diferencie da média do que chamamos de indústria cultural.

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