
Às vezes me pego preocupado com o futuro. Não o futuro do planeta, o meio ambiente, não essas coisas. O meu futuro. Nem é com carreira profissional, emprego, coisas assim. Essas coisas podem se acertar de algum jeito, eu acho. O que me preocupa é a solidão.
Meu pai me disse uma vez que meu defeito é não ter medo de nada. Isso era porque eu me expunha ao perigo, situações de risco. Isso não totalmente verdade. Mas o que eu realmente tenho medo é, entre outras coisas, solidão. Não é o fato de não ter uma companheira, não me preocupo com casamento, nem mesmo sexo. É a questão de ficar só mesmo. Tenho muitos amigos e parentes quais são bem próximos a mim. Não sou muito bom com relacionamentos amorosos, que muitas vezes nem começam. É verdade que realmente fico sozinho a maior parte do tempo hoje principalmente porque não estou trabalhando. Estou para terminar meu curso superior ainda no meio deste ano. Mas não vou a faculdade freqüentemente porque não preciso ver meu orientador toda semana. Meus amigos a maioria já está trabalhando, estudando ou estão longe em outro estado. De qualquer forma, estão ocupados. Das pessoas que gosto mais, sou mais próximo, não posso estar sempre ao lado, pois estão ocupadas cuidando de suas próprias vidas. Não vão querer um cara maníaco-depressivo do lado querendo atenção. Até mesmo meus pais acho que não me agüentam. Eu até gostaria de dar mais satisfação (alegria, no lugar de orgulho) a eles. E também não posso viver as custas deles para sempre.
Quando você convive muito tempo com alguém, mesmo que haja discussões, aquelas briguinhas – afinal todo mundo tem defeitos – depois do afastamento, faz muita, muita falta. Tudo que você quer é pelo menos ouvir a voz daquela pessoa. Saber que ela está bem. Saber as novidades. Mas é preciso ter cuidado para não cair em uma ilusão. Acabou. O tempo passa, o mundo muda, as pessoas mudam. As pessoas precisam mudar para acompanhar o mundo. O que antes era uma rotina hoje é um passado, não remoto, mas distante o suficiente para não se voltar a ser como era. Você não pode... eu não posso mudar o mundo nem mudar as pessoas a minha vontade. Não posso mudar a vontade das pessoas. Cada um tem que seguir seu caminho. Eu sabia disso desde o início. Talvez seja karma. Talvez exista mesmo Destino. E por mais que se tente fazer acontecer diferente, acaba acontecendo o que estava para acontecer. Por mais que se queira mudar.
Karma. Destino. Sina. Fardo. O que quer que seja, eu ainda tento não acreditar que exista isso. Ainda tento pensar “não existe destino exceto o que você faz”. No entanto, a cada dia me deparo com situações demonstrando a falta de controle sobre minha própria vida. Ainda estou a procura de um sentido para as coisas. Dharma. Mas será meu destino permanecer só? E qual será minha tarefa “nesse mundo de meu Deus”? Tem alguma relação com o destino?
Bom, por enquanto a solidão completa ainda não chegou. Isso é, ao mesmo tempo, um alívio e um tormento. E tento pensar que certas coisas que eu faço tem a ver com meu dever aqui nesse mundo. É uma maneira que tenho de não enlouquecer de vez. Falar sozinho o dia todo cansa. E escrever para poucos – ou para ninguém – também. Tento também não procurar respostas de qualquer maneira. Hoje eu espero que elas cheguem até mim. Deixo a coisa fluir. Isso me faz me sentir melhor. Já tem tempo que não me estresso.
Finalmente, o telefone. Esse talvez eu me estresse um pouquinho. Ele me deixa ansioso. Quando ligo para alguém, seja para tentar aplacar minha solidão ou para saber daquela pessoa que gosto de maneira especial, e o telefone toca, toca, mas não atende, isso é o fim. Mil pensamentos passam pela cabeça. Procuro na agenda outro nome para discar. Muitos estão trabalhando, não posso ficar ligando no meio do expediente para bater papo. E como eu disse, ninguém vai querer um cara maníaco-depressivo querendo atenção, ainda mais no trabalho. Junto com a solidão, tem a saudade. Ansiedade. E outras coisas com ‘dade’ no final. Se o destino existir, já sei qual é o meu. Até ele chegar, tenho muito trabalho a fazer.


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